O confronto direto entre os candidatos ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL), promovido pela Rede Amazônica na noite desta quinta-feira (22), foi marcado por tom agressivo, cobranças sobre o passado político e choque de visões para o interior do estado. Com mediação de César Menezes, o debate de quatro blocos escancarou a estratégia de ambos: Maria do Carmo apostou na pecha de corrupção e na crítica à velha política, enquanto Omar tentou se blindar destacando entregas passadas e disparou ataques contra a falta de traquejo público da adversária.
Entre propostas de infraestrutura e saúde, o momento de maior tensão ocorreu no bloco de segurança pública, quando o tema da castração química para crimes sexuais descambou para uma resposta bélica de Omar Aziz, que defendeu abertamente o fuzilamento de estupradores.
Maus Caminhos vs. Repasses Escolares: Troca de chumbo sobre corrupção
O segundo bloco concentrou o momento mais espinhoso da noite. Maria do Carmo colocou a corrupção no centro do ringue e confrontou Omar diretamente com fantasmas de sua gestão anterior no Executivo estadual, citando sobrepreço em obras e a Operação Maus Caminhos — maior escândalo de desvio da saúde no Amazonas, deflagrado pela Polícia Federal. Omar rebateu afirmando não responder a denúncias, defendeu auditoria no governo recém-encerrado de Wilson Lima e propôs a criação de uma corregedoria estadual independente.
O troco de Aziz veio no bloco seguinte, quando colocou em dúvida a gestão privada da candidata do PL ao questionar supostos repasses de recursos da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) à faculdade particular da qual ela é dona. Maria respondeu dizendo não ter conhecimento dos fatos e garantiu punição a funcionários caso haja irregularidades, contra-atacando ao acusar o senador de não ter deixado legados sólidos no interior.
Declaração explosiva e pauta punitivista
No terceiro bloco, as divergências sobre segurança ganharam contornos radicais:
- Punição a estupradores: Questionado por Maria se apoiava a castração química para pedófilos e estupradores, Omar subiu o tom: “Deveriam ser é fuzilados”.
- Bandeiras do PL: Maria do Carmo manteve a linha dura de sua base, defendendo a redução da maioridade penal, endurecimento de penas para violência doméstica e infantil, além de construção de novos presídios.
- Delegacias 24h: O candidato do PSD acusou a adversária de copiar seu plano de governo ao prometer reabrir delegacias no interior em tempo integral, pontuando que o serviço já funcionava quando governou o estado.
Guerra das promessas: Saúde e infraestrutura no interior
O isolamento e a precariedade dos municípios dominaram as discussões técnicas, com disputas diretas sobre números de obras:
- Batalha dos hospitais: Maria do Carmo propôs erguer seis hospitais regionais em subsedes estratégicas, além de uma unidade hospitalar no terreno abandonado da Cidade Universitária, em Manaus. Omar contra-atacou prometendo oito unidades regionais, maternidades e um hospital voltado para a terceira idade — promessa que a candidata do PL lembrou que já constava no plano de Aziz em 2010 e nunca saiu do papel.
- Queimadas e clima: Diante da crise das fumaças e da seca severa, Omar defendeu o Zoneamento Ecológico-Econômico e reclamou que emendas para compra de aeronaves de combate a incêndios não foram executadas. Maria focou no aumento de bombeiros, brigadas locais e recuperação de ramais vicinais para viabilizar escoamento durante estiagens.
- Companhia aérea própria: No último bloco, Omar surpreendeu ao sugerir a criação de uma companhia aérea estatal/regional amazonense aliada a aeroportos no interior. Em resposta, Maria atacou a falta de saneamento básico e prometeu asfaltar “quatro ruas por município”, além de criar um seguro-defeso de R$ 2 mil para pescadores e reajustar o Auxílio Estadual para R$ 300 — número que Omar ironizou pela baixa meta urbana.
O embate deixou claro o tom das últimas semanas de campanha: polarização acentuada entre o recall de obras e a rejeição a gestões antigas, em um tabuleiro onde o interior do Amazonas virou o principal campo de batalha eleitoral.










