A ascensão de Roberto Cidade ao cargo de governador interino do Amazonas reacende o debate sobre o uso da máquina pública e o crescimento patrimonial de seu núcleo familiar. Enquanto Cidade consolidava sua influência política como presidente da Assembleia Legislativa (Aleam), as empresas ligadas à sua irmã e ao seu pai registraram um salto bilionário em faturamento junto ao Governo do Estado.
O fenômeno RR Serviços: Crescimento de 60%
O caso mais emblemático envolve a RR Serviços de Transporte e Navegação Ltda., que tem como sócia Grace Kelly Cidade, irmã do governador interino. Dados extraídos do Portal da Transparência revelam que, entre 2022 e o início de 2026, a empresa abocanhou a cifra impressionante de R$ 79.736.537,10.
O que chama a atenção dos órgãos de controle não é apenas o montante total, mas a velocidade da ascensão financeira:
- Salto no faturamento: Entre 2023 e 2024, a receita da empresa vinda dos cofres públicos cresceu quase 60%.
- Coincidência política: O período de expansão financeira coincide exatamente com o fortalecimento da aliança entre o ex-governador Wilson Lima e Roberto Cidade, época em que a Aleam serviu de “blindagem” para o Executivo.
O “Clã Cidade” e o domínio do transporte
A influência da família no setor de transportes e navegação se estende ao patriarca, Orlando Cidade. Empresas ligadas ao pai de Roberto, como a Navegações Cidade, também consolidaram contratos milionários, especialmente em pastas estratégicas como a Secretaria de Educação (Seduc).
O cenário atual configura uma concentração de poder inédita: o atual “dono da caneta” no Amazonas possui laços consanguíneos diretos com os maiores beneficiários das cifras pagas pelo próprio Estado para serviços de logística e transporte.
Desafio para os Órgãos de Controle
Com a mudança no comando do Palácio da Compensa, especialistas e a sociedade civil questionam como será feita a fiscalização desses contratos. A “herança” política deixada por Wilson Lima para Roberto Cidade inclui uma rede de compromissos financeiros que envolvem diretamente o patrimônio da família Cidade.
O Alerta: Cabe agora ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) e ao Ministério Público (MP-AM) monitorar se o Estado continuará servindo de alavanca para o enriquecimento de familiares de quem detém o poder.
O silêncio em torno desses valores milionários coloca em xeque a transparência da gestão e levanta dúvidas sobre a moralidade administrativa no uso dos recursos do contribuinte amazonense.

















