Vazamento de estireno em fábrica de Manaus entra no segundo dia; bombeiros mantêm operação de resfriamento

As equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) permanecem mobilizadas, na manhã desta quinta-feira (16), no controle do vazamento de estireno registrado em uma indústria do Distrito Industrial, na Zona Sul de Manaus. Mais de 14 horas após o início da ocorrência, os militares continuam realizando o resfriamento dos tanques para evitar novos riscos.

De acordo com os bombeiros, ainda há liberação de vapores do produto químico, porém em intensidade menor do que a observada na tarde de quarta-feira (15), quando o incidente ocorreu.

O vazamento teve início por volta das 17h20 em um dos três tanques de armazenamento de monômero de estireno da empresa Innova. Segundo a companhia, o produto apresentou uma elevação anormal de temperatura, provocando a liberação de vapores pelos dispositivos de segurança do reservatório.

O CBMAM informou que o sistema de proteção do tanque funcionou corretamente para evitar uma explosão. Apesar de apenas um reservatório ter apresentado o problema, os três tanques estão sendo resfriados como medida preventiva.

Atendimento e operação

Desde o início da ocorrência, cerca de 35 bombeiros, dez viaturas e quatro canhões de água atuam no local. A operação é conduzida pelo Grupamento de Biossegurança e Produtos Perigosos e seguirá até que a temperatura dos reservatórios esteja completamente estabilizada.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), 16 pessoas procuraram atendimento em unidades da rede estadual após o incidente. Todos apresentavam quadro clínico estável e passaram por avaliação médica.

Por que ainda há vapores?

O estireno é uma substância utilizada na fabricação de plásticos e borrachas. Quando submetido ao calor, o produto evapora facilmente e libera vapores de odor forte.

Durante o processo de resfriamento, a água aplicada sobre os tanques reduz gradativamente a temperatura do produto, que ainda passa por alterações físicas, como evaporação e solidificação. Por esse motivo, a liberação de vapores pode continuar por algumas horas, mesmo após o controle inicial da ocorrência.

Os bombeiros monitoram constantemente a temperatura dos reservatórios para impedir novo aumento de pressão ou qualquer risco adicional.

Área isolada

Após o incidente, a área da fábrica e empresas vizinhas foram evacuadas por medida de segurança. A Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) auxiliou no isolamento do local, enquanto trechos da Avenida Buriti foram interditados para facilitar o trabalho das equipes de emergência.

Imagens registradas por trabalhadores mostram uma grande nuvem branca se formando sobre a área dos tanques logo após o vazamento. O vapor se espalhou rapidamente e assustou funcionários da empresa e de indústrias próximas.

Na manhã desta quinta-feira, o odor característico do produto ainda era percebido na região. Algumas empresas do entorno optaram por liberar seus funcionários como medida preventiva.

Empresa afirma que situação foi controlada

Em nota, a Innova informou que a ocorrência foi controlada conforme os protocolos internos de segurança e que todo o material gerado foi armazenado para tratamento adequado.

A empresa ressaltou que não houve incêndio, vazamento de produto líquido para fora da área de contenção nem registro de vítimas.

A companhia também afirmou que o episódio não compromete o abastecimento de seus clientes e que permanece colaborando com os órgãos responsáveis pela investigação.

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que acompanha o caso e solicitou informações detalhadas sobre as medidas adotadas pela empresa. Segundo o órgão, a apuração das causas do incidente e dos possíveis impactos ambientais, sanitários e à saúde dos trabalhadores ficará a cargo das autoridades competentes.

Riscos à saúde

Especialistas alertam que a exposição ao estireno pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dor de cabeça, tontura, fadiga e náusea. Em concentrações elevadas, o produto também pode causar dificuldades respiratórias.

A chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, explica que o estireno evapora facilmente quando aquecido e possui odor forte e adocicado. Segundo a pesquisadora, a recomendação para pessoas expostas ao produto é utilizar máscara do tipo P2 ou N95.

A Defesa Civil orienta que moradores e trabalhadores da região permaneçam em ambientes abertos e bem ventilados, mantenham portas e janelas abertas e desliguem aparelhos que captem ar externo, como sistemas de ar-condicionado.

Já a SES-AM recomenda que qualquer pessoa que apresente sintomas como irritação nos olhos ou na pele, tontura, dor de cabeça, náusea, sonolência, confusão mental, dificuldade para respirar ou perda de consciência procure atendimento médico imediatamente.

Facebook
Twitter
WhatsApp
Fique por dentro

Não perca as principais notícias. Se inscreva para receber tudo em primeira mão!

Receba as notícias!

Veja também

Comentários