Manaus tem rearranjo ideológico e bolsonarismo fragmentado

A definição de candidaturas para prefeito de Manaus expõe três forças políticas para as eleições de 2024, avalia o cientista social Marcelo Seráfico. O “desenho” formado não mostra grupos definidos de esquerda ou direita, segundo Seráfico, mas “o lugar na política tem a ver com as articulações para serem eleitos”.

Segundo Marcelo Seráfico, o “processo eleitoral” local influencia os candidatos a “abdicarem” de parte de suas bandeiras ideológicas por razões que consideram “legítimas” ou por “oportunismo eleitoral”.

O primeiro grupo, conforme o sociólogo, é formado por candidatos que se identificam com a direita e têm discursos relacionados ao “privatismo” e “moralismo”. “Nele estão David Almeida (Avante), Roberto Cidade (União Brasil), Alberto Neto (PL) e Wilker Barreto (Mobiliza)”, diz.

Seráfico lembra que o grupo estava unido em torno do bolsonarismo, mas atualmente está fragmentado. “Dispõe de ampla capacidade de mobilização junto a grupos religiosos e parte do empresariado, além de seus representantes usufruírem das vantagens políticas e financeiras dos cargos que já ocupam”, diz.

O segundo grupo é de centro-direita, também com tendências privatistas, mas distante das pautas moralistas. “Nele estão Marcelo Ramos (PT) e Amom Mandel (Cidadania). Um é egresso do PL. recém filiado ao PT e reivindica políticas do governo Lula como principal argumento político”, analisa.

No Brasil, diz Seráfico, a população elege “sistematicamente” governos populares, mas para governar e chegar ao fim do mandato fazem “concessões” e “preservam” interesses que podiam ser enfrentados.

“O outro (Amom Mandel), reiterando a postura de jovem outsider (indivíduo que não pertence a um grupo determinado), mira os votos dos eleitores, como ele, jovens, e a conquista dos muitos possíveis, tendo em vista sua baixa rejeição”, afirma.

E como candidato que “mantém coerência ideológica” Gilberto Vasconcelos (PSTU) é o “isolado representante da esquerda”. “Militante histórico do partido, é crítico do privatismo e busca conquistar os votos da fragmentada, precarizada e complexa classe trabalhadora”, diz o cientista social.

Para Seráfico, não é tão simples analisar as alianças políticas porque os candidatos pensam também em “o que eu faço para governar”. David Almeida é, obviamente, o alvo imediato dos demais candidatos. Concorrendo à reeleição, busca ampliar sua base eleitoral para além da extrema direita. Para isso, mantendo distância física do ex-presidente da República [Jair Bolsonaro]”, diz.

A carreira desses candidatos na política é uma “vida ziguezagueante”, diz o especialista. Há uma crise nos sistemas políticos que afeta a “expressão ideológica” dos partidos. “O que vai ficando claro é que as questões de ordem ideológica vão ficando de lado devido ao pragmatismo eleitoral. Os próprios partidos passam por uma metamorfose”, diz Seráfico. “Semelhante atitude é a de Roberto Cidade, cuja proximidade com aquele se manifesta na figura de Coronel Menezes [vice na chapa]”.

Para o analista, Alberto Neto (PL) reivindica a herança bolsonarista como seu “trunfo ideológico e, até o momento, conta com o apoio do ex-presidente (Bolsonaro)”.

Depois das eleições de 2022, a fragmentação da extrema direita está relacionada ao rearranjo das forças políticas locais. Outro “rearranjo” foi revelado na composição da chapa do PT. “Localmente, recorreu a quadros de partidos de centro-direita. Marcelo vem do PSD e Luiz Castro do PDT para concorrer ao pleito”, lembra Seráfico.

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