Consumo gera comércio ilegal de 1 milhão de tartarugas em Manaus

Um milhão de tartarugas são comercializadas em Manaus por ano, de forma ilegal, segundo a bióloga Maria Menezes, do Cequa (Centro de Estudos de Quelônios da Amazônia), que é vinculado ao Inpa (Instituto de Pesquisas da Amazônia).

O número estimado, segundo a bióloga, é de pesquisa do Departamento de Conservação de Peixes e Fauna Silvestre da Universidade Virginia Tech, nos EUA.

O quelônio vai parar na mesa de manauaras em receitas típicas da culinária amazônica. O dia 23 de maio é o Dia Mundial da Tartaruga, instituído para chamar atenção para a preservação do animal.

Na mesa, a tartaruga é uma iguaria. Na comercialização ilegal é alimento de “luxo”. Um exemplar de um metro e 50 quilos custa, em média, R$ 800.

“Pessoas que têm condições financeiras vão às comunidades ribeirinhas e negociam a compra ilegal de quelônios”, diz Maria Menezes.

O prato de tartaruga mais conhecido é o sarapatel, feito no próprio casco do animal. Mas as receitas são variadas, como o guisado e o picadinho.

Conforme o estudo, a tartaruga amazônica é da espécie Podocnemis expansa e está ameaçada de extinção. A ameaça inclui o jabuti (Chelonoidis carbonária), iaçás (Podocnemis sextuberculata) e tracajás (Podocnemis unifilis).

Além do consumo humano, incêndios e desmatamentos estão alterando o ambiente natural dos quelônios. O calor intenso causa o nascimento de mais tartarugas fêmeas e menos machos, influenciando na reprodução. “Neste momento, o maior predador dos quelônios é o homem”, afirma Maria Menezes.

“As tartarugas fazem reciclagem de nutrientes, ajudam no reflorestamento porque são dispersoras de sementes. Então, temos que preservar esses animais”, defende a bióloga.

Para mudar esse cenário, o Cequa promove a educação ambiental. Pesquisadores realizam palestras para crianças e adolescentes em Manaus e no interior para sensibilizar sobre a importância dos quelônios no ecossistema da Amazônia.

Projetos como o de Manejo Comunitário de Quelônios (Pé-de-Pincha), da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), em parceria com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), realiza solturas de tartaruguinhas nos rios do Amazonas.

No mês de abril, 6 mil filhotes de quelônios foram soltos na natureza.

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