Aneel aprova plano alternativo para que ‘Batista’ fique com a Amazonas Energia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (01) o plano alternativo para que a Âmbar, empresa do grupo J&F (que pertence aos irmãos Wesley e Joesley Batista), compre a distribuidora Amazonas Energia.

Elaborada pela área técnica da agência, o impacto calculado sobre a conta de luz na proposta aprovada é de quase R$ 8 bilhões a menos em 15 anos.

A proposta foi uma alternativa ao plano de compra que havia sido apresentado pela Âmbar e estava sob análise da agência. A votação havia começado na última sexta-feira (27), mas foi suspensa, sem definição.

A decisão concede flexibilizações da ordem de R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões de aporte de capital.

Com a decisão, a empresa, que pedia flexibilizações de R$ 15,8 bilhões, poderá assinar termo em que renuncia a ação judicial em andamento e desiste de se opor sobre qualquer deliberação realizada pela Aneel.

Caso a empresa assine o contrato, o caso será encerrado porque a empresa desistirá da ação judicial.

Na sexta, o presidente da Aneel, Sandoval Feitosa, mudou seu posicionamento e votou a favor da proposta alternativa apresentada pelos técnicos da agência. Assim, o placar ficou em 3 a 1, e a Âmbar tem 24 horas para responder.

As votações para o plano da área técnica e para a proposta apresentada pela empresa dos irmãos Batista correm em separado.

Esta segunda pauta, no entanto, segue sem definição e deve continuar a ser deliberada nas próximas reuniões.

Paralelamente, a Justiça Federal determinou que a compra seja efetivada, com o plano apresentado pela Âmbar, mas houve recurso e o caso ainda está em aberto.

Agora, a empresa dos irmãos Batista pode aceitar o plano alternativo, o que extingue a ação judicial. Ou recusar, e apostar no desfecho do caso na Justiça.

A Âmbar afirmou que analisa a decisão e “seguirá mantendo o diálogo com a agência, em busca de uma solução definitiva para a situação dos consumidores de energia do Amazonas”.

A Amazonas Energia detém a concessão para atuar no Norte, mas nos últimos anos acumulou longo histórico de problemas operacionais e financeiros e uma dívida que supera R$ 10 bilhões, o que traz um risco de caducidade da concessão.

O plano de compra foi apresentado pela Âmbar logo depois de o Ministério de Minas e Energia editar uma medida provisória que flexibiliza o contrato da companhia elétrica, a desobriga de uma série de encargos para tentar salvar sua viabilidade econômica, e abre brecha para o repasse de seu controle societário.

A área técnica da Aneel recomendou que o plano de compra fosse rejeitado e calculou que ele trará quase o dobro de impacto necessário à conta de luz de todos os consumidores.

A conta é a seguinte: os técnicos projetaram, considerando as flexibilizações feitas pela medida provisória têm, o custo da operação seria de R$ 8 bilhões —bancados pela CCC (Conta Consumo de Combustíveis), que é um dos fatores que compõem tarifa de energia.

Já caso o plano dos irmãos Batista fosse aprovado, este impacto seria muito maior, de R$ 15,8 bilhões.

A análise da Aneel afirma que a discrepância de quase R$ 8 bilhões entre a projeção da agência e o plano apresentado é proveniente de diferenças na mensuração do custo operacional, custo incorrido e velocidade de redução de custos.

Depois, a Âmbar ainda fez ajustes ao plano, que podem reduzir o impacto a R$ 14 bilhões.

A empresa dos irmãos Batista atua no ramo de geração de energia, mas não de distribuição —no qual entraria com a aquisição da Amazonas.

A proposta da área técnica da Aneel admite que a Âmbar “não demonstrou capacidade técnica no segmento de distribuição”.

Por outro lado, ela ressalta que, para aprovação da compra, é necessário comprovar apenas a adequação à nova atuação.

“[A âmbar] apresentou experiência no segmento de geração para fins de demonstração da capacidade técnica para adequar o serviço de distribuição”, avalia a Aneel.

No último dia 23, porém, a Justiça Federal obrigou a aprovação da compra pela agência, com o plano apresentado pela empresa dos irmãos Batista.

A Aneel recorreu, e o caso ainda não teve desfecho.

A possibilidade de transferência do controle Amazonas Energia não foi o único benefício aos irmãos Batista da medida provisória do governo Lula (PT).

Assinada em 12 de junho, ela também permitiu repassar para os consumidores o preço que a Amazonas paga pela energia gerada por termelétricas locais.

Essas termelétricas, por sua vez, foram compradas pela Âmbar em uma operação de R$ 4,7 bilhões no início de junho, apenas dias antes da medida.

Facebook
Twitter
WhatsApp
Fique por dentro

Não perca as principais notícias. Se inscreva para receber tudo em primeira mão!

Receba as notícias!

Veja também

Comentários