O filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, voltou ao centro das atenções após a divulgação de um suposto investimento de R$ 61 milhões atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Antes da revelação do aporte milionário, a produção já havia sido alvo de denúncias envolvendo condições precárias de trabalho durante as gravações em São Paulo. As reclamações constam em relatório elaborado pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP), produzido em dezembro.
O documento reúne relatos de figurantes e profissionais técnicos que participaram das filmagens e aponta ao menos 15 ocorrências formais registradas por trabalhadores por meio do canal Reclame SATED.
Entre as denúncias estão alimentação insuficiente para jornadas superiores a oito horas, fornecimento de comida estragada, atrasos de pagamento, cachês considerados abaixo do padrão de mercado e contratação informal de figurantes por grupos de WhatsApp.
Segundo os relatos, enquanto integrantes do elenco estrangeiro tinham acesso a refeições em sistema self-service, figurantes brasileiros recebiam apenas kits com pão, fruta, doce e suco durante o expediente.
O relatório também menciona episódios de assédio moral, revistas pessoais consideradas abusivas e até denúncia de agressão física dentro do set de filmagem. Um dos figurantes afirmou ter registrado boletim de ocorrência e realizado exame de corpo de delito.
Outra irregularidade apontada pelo sindicato envolve a utilização de profissionais estrangeiros sem o recolhimento das taxas previstas na legislação trabalhista do setor audiovisual. O SATED/SP informou ainda que contratos obrigatórios não teriam sido apresentados para obtenção de vistos sindicais.
Apesar das denúncias, o sindicato ressaltou que os relatos ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes, garantindo contraditório e ampla defesa aos envolvidos.
Mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
As informações sobre o financiamento vieram à tona após reportagem publicada pelo portal The Intercept Brasil, que divulgou mensagens e áudios trocados entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Segundo a publicação, os recursos teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 por meio de um fundo nos Estados Unidos ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.
Em um dos áudios divulgados, Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com atrasos financeiros da produção e afirma que a equipe do filme estaria “tensa” diante das parcelas pendentes.
Posteriormente, o senador confirmou que pediu apoio financeiro ao banqueiro, mas negou qualquer irregularidade na operação e afirmou que o projeto foi financiado com recursos privados.
Produtora nega recebimento de recursos
Em nota divulgada na quinta-feira, a GOUP Entertainment negou ter recebido qualquer valor proveniente de Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de empresas ligadas ao banqueiro.
A produtora afirmou que o longa possui diversos investidores privados e repudiou tentativas de associação entre a produção cinematográfica e “fatos externos desprovidos de comprovação documental, financeira ou contratual”.
Orçamento chama atenção no setor audiovisual
O valor atribuído ao financiamento de “Dark Horse” chamou atenção no mercado por superar grandes produções brasileiras recentes.
O montante é mais que o dobro do orçamento de “O Agente Secreto”, longa dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, indicado ao Oscar de 2026 em quatro categorias.
Segundo dados da Ancine, “O Agente Secreto” teve orçamento de R$ 28 milhões, financiado por coproduções entre Brasil, França, Alemanha e Holanda.
Dirigido por Cyrus Nowrasteh, “Dark Horse” é descrito pelos produtores como um thriller político inspirado na campanha presidencial de 2018 e no atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante o período eleitoral.
O elenco conta com nomes como Esai Morales, Lynn Collins, Camille Guaty, intérprete de Michelle Bolsonaro, e Jeffrey Vincent Parise.










