O cenário político do Amazonas sofreu uma mudança, ja esperada, nesta semana. O governador Wilson Lima (União Brasil), que até então era dado como nome certo na disputa por uma das duas vagas ao Senado Federal em 2026, jogou a toalha. A desistência, que nos bastidores é tratada como um “arrego” estratégico, expõe as vísceras de um governo que luta contra os próprios números e o isolamento político.
O Peso da Rejeição
O principal combustível para a marcha à ré de Wilson Lima é a alta taxa de desaprovação de sua gestão. Pesquisas internas e levantamentos recentes (segundo os dados da pesquisa AtlasIntel) apontam que mais de 65% dos eleitores amazonenses desaprovam o atual governo. Com a capital Manaus sendo o epicentro dessa insatisfação, o governador percebeu que deixar a cadeira do Palacio da Compensa para se aventurar nas urnas poderia resultar em uma derrota vexatória e na perda precoce de seu foro privilegiado, já que Wilson Lima segue sendo réu no STJ.
Pressão de “Amigos” e Aliados
Não foi apenas o povo que deu as costas. A pressão interna foi sufocante. Aliados de primeira hora e o chamado “núcleo duro” do governo já demonstravam receio de que a candidatura de Wilson contaminasse as chapas de deputados estaduais e federais, que precisam da estrutura do Governo Estadual para as suas campanhas de reeleição.
“Não há estrutura que segure um candidato com esse nível de desgaste. Ou ele fica para tentar entregar o que prometeu e manter o alguma influência política ou saía para ser humilhado nas urnas”, revelou uma fonte ligada ao União Brasil sob sigilo.
A Manobra: Apoio a Omar Aziz?
O que mais choca o meio político é o desenho da nova aliança. Para tentar sobreviver politicamente e garantir alguma influência após o término de seu mandato, Wilson Lima estaria costurando um apoio à reeleição de Omar Aziz (PSD). O movimento é visto como uma rendição: o governador abre mão do protagonismo para se tornar um “cabo eleitoral de luxo” daquele que já foi seu crítico e hoje domina as articulações com o Governo Federal.
A Cartada Final: Roberto Cidade Vice de Omar
Para não sair de mãos abanando e garantir um salvo-conduto político, Wilson Lima já teria beijado a mão de seu antigo algoz, Omar Aziz (PSD). O acordo de bastidores, que já circula nos corredores da Assembleia Legislativa (ALEAM), é bombástico: Wilson apoia a eleição de Omar Aziz(PSD) ao Governo e, em troca, indica o Roberto Cidade, para ser o vice na chapa majoritária.
Informações quentes dão conta de que Roberto Cidade já aceitou o convite. O presidente da ALEAM, que possui forte capilaridade no interior e o controle da máquina legislativa, surge como o nome de confiança de Wilson para vigiar os interesses do grupo dentro da nova composição de poder comandada por Omar.
Sobrevivência ou Rendição?
A manobra de Wilson Lima é vista por analistas como uma tentativa desesperada de manter o foro privilegiado e a influência política após 2026. Ao abrir mão da candidatura própria e “terceirizar” sua força para Omar Aziz através de Roberto Cidade, Wilson tenta evitar o ostracismo político e se blindar dos problemas juridicos que estão por vir.
Os próximos passos desse xadrez:
- Fidelidade à Omar: Wilson deve colocar a estrutura do Estado à disposição do projeto de eleição de Aziz.
- Fortalecimento de Cidade: Roberto Cidade assume o papel de protagonista do grupo de Wilson na chapa majoritária.
- Silêncio dos Inocentes: Aliados que antes criticavam Omar agora devem ensaiar um discurso de “união pelo Amazonas”.
A pergunta que fica é uma só: Wilson Lima está sendo prudente ou apenas admitindo que o “Trabalho que Transforma” ficou apenas no discurso e nas propagandas institucionais?

















