Agiotagem sob investigação: polícia identifica rede com atuação em Manaus e interior do AM

A Polícia Civil do Amazonas investiga um esquema de agiotagem que teria feito vítimas em Manaus e em municípios do interior do estado. De acordo com a corporação, centenas de denúncias já foram registradas envolvendo empréstimos ilegais com juros elevados e práticas de intimidação.

O caso ganhou maior dimensão após as ações da Operação Tormenta, que teve duas fases deflagradas neste ano. Ao todo, pelo menos 12 pessoas foram identificadas como integrantes do grupo investigado, sendo parte delas presa e outras ainda consideradas foragidas.

Na segunda fase da operação, realizada pelo 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), cinco suspeitos foram presos. Durante a ação, foram apreendidos armas de fogo, dinheiro em espécie, celulares, computadores, documentos e veículos de alto padrão.

Entre os detidos está um tenente da Aeronáutica, além de outros investigados já conhecidos das autoridades por envolvimento em esquemas semelhantes.

Estrutura da organização

Segundo o delegado Cícero Túlio, as investigações começaram em janeiro e apontam a existência de uma rede estruturada de agiotas, que atuava de forma integrada no estado.

De acordo com a polícia, o grupo oferecia empréstimos com juros que podiam ultrapassar 50% ao mês. As vítimas incluíam servidores públicos, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais, com destaque para mulheres que trabalham em órgãos do Judiciário.

Métodos de cobrança

As investigações apontam que, além da cobrança abusiva, os suspeitos utilizavam ameaças, monitoramento e retenção de documentos pessoais para pressionar as vítimas. Há relatos de apropriação de bens como veículos, joias, eletrônicos e até imóveis.

Em alguns casos, os investigados teriam assumido o controle de contas e aplicativos bancários das vítimas para retirar diretamente valores de salários e benefícios.

Para ocultar a origem do dinheiro, o grupo utilizava empresas de fachada e movimentações financeiras consideradas atípicas.

Ameaças e violência

De acordo com a Polícia Civil, também foram identificados indícios de ameaças mais graves, incluindo planos de ataques a veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Amazonas. Os suspeitos também monitoravam vítimas em locais públicos, como proximidades de órgãos judiciais.

Áudios obtidos durante as investigações mostram intimidações, com menções a ameaças de morte e outras formas de coação.

Alerta à população

A polícia alerta que os criminosos utilizam anúncios em postes, muros e redes sociais oferecendo crédito fácil como forma de atrair vítimas. Após a contratação, os cobradores passam a exigir valores elevados, criando um ciclo de endividamento e pressão.

As investigações continuam, inclusive para apurar possíveis ligações com organizações criminosas. A Polícia Civil orienta que vítimas denunciem os casos por meio dos canais oficiais, como o 180 e o 190, ou procurem delegacias especializadas.

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