O Amazonas viverá nesta segunda-feira (04) um momento inédito em sua história política. A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) realizará a primeira eleição indireta do estado, em que os 24 deputados estaduais definirão quem comandará o governo amazonense até o dia 5 de janeiro de 2027.
No centro das articulações está Roberto Cidade, atual governador interino e candidato ao chamado “governo tampão”. A disputa, porém, já nasce cercada de críticas, desconfiança e forte repercussão nos bastidores políticos.
Nas redes sociais e em grupos políticos, parte da população demonstra resistência à possibilidade de Cidade permanecer à frente do Executivo estadual pelos próximos meses. O cenário também alimenta debates sobre a legitimidade política de uma escolha feita exclusivamente pelos parlamentares, sem participação direta do eleitorado.
Além das críticas populares, rumores de uma possível “eleição de resultado previsível” aumentaram a tensão nos corredores da ALE-AM. O tema voltou a ganhar força após declarações feitas pela deputada estadual Joana D’arc durante sessão plenária em 2020.
Na ocasião, a parlamentar afirmou que Roberto Cidade teria comprado apoio político para conquistar a presidência da Assembleia Legislativa, citando supostos pagamentos de R$ 250 mil a deputados estaduais. As declarações ocorreram em plenário e repercutiram amplamente naquele período. Não houve condenação judicial relacionada às acusações, e Roberto Cidade sempre negou irregularidades.
Hoje, Joana D’arc integra a base aliada do atual governador interino do estado, fato que também passou a ser explorado por adversários políticos nos bastidores da disputa indireta.
A eleição desta segunda-feira ocorre em meio a um clima de intensa movimentação política e deve definir os rumos administrativos do Amazonas até o início de 2027. Enquanto parlamentares articulam apoios dentro da “Casa do Povo”, a população acompanha atentamente os desdobramentos de uma votação considerada histórica e cercada de controvérsias.










