
O calendário marca 14 de janeiro de 2026. Há exatamente cinco anos, a capital amazonense tornava-se o epicentro de uma tragédia humanitária que chocou o mundo. Em 2021, o “dia em que o ar faltou” deixou cicatrizes profundas em centenas de famílias e expôs a fragilidade extrema do sistema de saúde local durante a segunda onda da Covid-19.
O cenário do caos
Naquela quinta-feira de 2021, o oxigênio, insumo básico para a vida, tornou-se um item de luxo e desespero. Com o recorde de internações, o consumo diário de oxigênio no estado saltou de 30 mil para 80 mil metros cúbicos, superando a capacidade de produção e logística.
As imagens que o Portal Nortão relembra hoje são de um cenário de guerra:
- Hospitais de portas fechadas: Unidades de saúde sem capacidade para receber novos pacientes.
- Corrida contra o tempo: Familiares carregando cilindros pesados em carros particulares na esperança de manter parentes vivos.
- Êxodo sanitário: O Governo do Amazonas precisou transferir centenas de pacientes para outros estados em uma operação logística sem precedentes.
A dor que não cicatriza
Mais de 60 pessoas perderam a vida diretamente pela falta do gás apenas naquele fatídico 14 de janeiro. No total, a crise estendeu-se por semanas, deixando um rastro de luto em toda a região Norte.
Cinco anos de impunidade
Apesar das investigações conduzidas por CPIs e órgãos de controle na época, o sentimento em Manaus hoje é de frustração. Meia década depois, o processo judicial caminha a passos lentos e nenhum gestor ou responsável direto foi condenado ou responsabilizado criminalmente pelo colapso logístico que levou à asfixia de pacientes em leitos de UTI.
A data de hoje serve não apenas como memória às vítimas, mas como um lembrete da necessidade de vigilância constante sobre a gestão da saúde pública no Amazonas.

















